RESTRIÇÃO CALÓRICA INTERMITENTE

Vários tipos de dietas podem ser utilizadas para redução de peso e risco cardiometabólico. Dentre as estratégias mais estudadas estão a dieta cetogênica, a restrição calórica intermitente e o jejum intermitente (Paoli, A. et al., 2019).

Mecanismos envolvidos nos efeitos da dieta cetogênica (KD em laranja), restrição calórica (CR em azul) e jejum para a saúde (fasting em verde). Quanto maior o tamanho da seta maior o efeito.

Qual é a melhor dieta?

Todas as dietas geram melhorias metabólicas, como observa-se na figura acima. A dieta a ser seguida dependerá de gostos, orçamento, rotina, desejos, hábitos, sinais e sintomas experimentados quando se está em restrição e até da genética, como explico no vídeo abaixo:

O que é restrição calórica intermitente?

Muita gente não quer fazer jejum ou dieta cetogênica mas consegue reduzir as calorias. Na restrição calórica intermitente o que acontece é que existem os dias de consumo calórico normal (dieta isocalórica) e existem os dias de restrição calórica (independentemente do tipo de dieta ou número de horas entre uma refeição e outra).

Em um estudo de 2019 homens e mulheres adultos obesos foram divididos em dois grupos. O primeiro fez a restrição calórica intermitente (dois dias na semana) e o outro grupo seguiu uma dieta mediterrânea em que havia restrição calórica de 500 kcal em todos os dias da semana. Nos dois grupos houve restrição de peso, circunferência da cintura, IMC, % de gordura corporal, triglicerídeos, adiponectina, melhoria da razão colesterol total: HDL colesterol, sensibilidade à insulina e razão leptina:adiponectina.

Os autores concluíram que ambas formas de intervenção trouxeram resultados semelhantes para perda de peso e melhoras de parâmetros cardiometabólicos. Ou seja, não há necessidade de restrição todos os dias se isto deixa o paciente estressado ou desestimulado (Pinto et al., 2019).

DIETA CETOGÊNICA PASSO A PASSO (para leigos).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Chia e linhaça: ótimas alternativas de fibras importantes para a microbiota intestinal (e podem ser usadas mesmo na dieta cetogênica)

Johanna Budwig, uma bioquímica alemã, desenvolveu a dieta Budwig na década de 1950. A dieta envolve a ingestão de óleo de linhaça misturado com queijo cottage e leite. Budwig acreditava que esta combinação, tornava o ômega-3 mais biodisponível para as células. Ela também acreditava que o óleo poderia impedir o crescimento de tumores. A dieta Budwig também é rica em frutas, vegetais e fibras, além de ser isenta em açúcares, óleos refinados e hidrogenados, outros produtos lácteos (como leite e manteiga), grãos refinados e café. A Dra. Budwig também solicitava que seus pacientes passeassem pela natureza e tomasem 20 minutos de sol diariamente, para fortalecimento do sistema imunológico.

Protocolo Budwig

Protocolo Budwig

De fato, com a dieta a bioquímica observava uma melhoria na saúde, redução da pressão arterial sanguíneal e dos níveis de colesterol. Contudo, não existem evidências de que a dieta Budwig reduza tumores ou trate o câncer.

Mas, de forma geral, este protocolo adapta-se à maioria das pessoas. Comer muitos legumes e frutas faz parte de uma dieta saudável. Porém, se estiver com câncer converse com um nutricionista especialista na área. Não é hora de perder peso pois ficará fraco para enfrentar o tratamento. Também tenha cuidado com o horário dos banhos de sol, pois a exposição ao sol em horários muito quentes aumenta o risco de melanoma e outros tipos de câncer de pele.

Um grande benefício da dieta de Budwig é a ausência de alimentos ultraprocessados. As comunidades humanas ancestrais que consumiam principalmente dietas à base de plantas possuíam um perfil de microbiota intestinal bem adaptado ao consumo de fibras acessíveis à microbiota. No entanto, a industrialização facilitou o consumo de alimentos pobres em fibras boas, o que diminuiu a colonização intestinal por bactérias capazes de degradarem vários tipos de alimentos. Isto sim poderia aumentar a inflamação e o risco de câncer, como o de cólon. O ideal mesmo é adotar uma dieta natural e baseada em plantas (Sonnenburg & Sonnenburg, 2019).

Chia e linhaça são sementes ricas em fibras e gorduras boas

O protocolo Budwig inclui sementes para consumo diário. Chia e linhaça são ricas em gorduras e em fibras (lignanas) e podem entrar até mesmo na dieta cetogênica. Esta permite um consumo muito baixo de carboidratos (cerca de 5% a 10% da ingestão calórica total ou abaixo de 50 g por dia), como forma de aumentar a produção de cetonas.

Mas deve-se pensar muito bem nos outros alimentos a incluir na dieta cetogênica. O consumo de presunto, mortadela, toucinho, bacon, queijos, alimentos ricos em ácidos graxos saturados contribuem para efeitos negativos na microbiota intestinal. O mesmo acontece com dietas ricas em gordura do tipo ômega-6, como óleo de soja e óleo de milho. Já pessoas com dietas mais ricas em ômega-3 (atum, sardinha, chia, linhaça, bacalhau) (PUFAs) possuem uma maior diversidade microbiana e função normal intestinal.

Uma área de controvérsia na dieta cetogênica é o consumo de adoçantes artificiais em substituição aos açúcares naturais. Várias evidências demonstraram que os adoçantes artificiais têm um impacto negativo na saúde do hospedeiro e do intestino. Adoçantes de baixa caloria, como acessulfame de potássio (Ace-K) e sucralose, interrompiam a estrutura e a função da microbiota intestinal e da mucosa intestinal.

Uma sugestão adequada para manter uma microbiota intestinal saudável durante a dieta cetogênica pode ser o uso de pré e probióticos. A principal fonte de prebióticos é representada por frutooligossacarídeos, inulina, galacto-oligossacarídeos de lactulose e trans-galacto-oligossacarídeos. A fermentação de prebióticos pela microbiota intestinal produz SCFAs, que modulam positivamente a composição da microbiota (aumentando as bifidobactérias intestinais e as bactérias do ácido lático), fornecendo uma fonte de energia para os colonócitos. Diferentemente, os probióticos são bactérias vivas (especialmente dos gêneros Bifidobacterium e Lactobacillus) e leveduras que, quando administradas em quantidade adequada, mostram efeito positivo na saúde humana; eles geralmente são adicionados a iogurtes ou encontrados em “alimentos especiais”.

Foi relatado que os alimentos enriquecidos com esses microrganismos são capazes de recuperar e melhorar a microbiota intestinal, atingindo o estado de eubiose.

Os produtos lácteos cultivados (kefir, iogurte grego, leitelho tradicional, kefir de água, queijo fermentado, chucrute, kimchi, missô, kombucha e picles) contêm várias e diferentes “bactérias amigáveis”, como Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus delbrueckii subsp. bulgarius, Lactobacillus reuteri, Saccharomyces boulardii e Bifidobacterium bifidum.

O consumo moderado de um alimento fermentado com alto teor de gordura é bem recomendado para o intestino humano e a saúde humana. Este essa pessoa fazendo o protocolo Budwig, cetogênico, mediterrâneo ou qualquer outro.

A dieta cetogêncica bem pensada pode ter vários efeitos positivos na saúde (Paoli et al., 2019)

A dieta cetogêncica bem pensada pode ter vários efeitos positivos na saúde (Paoli et al., 2019)

Tanto no protocolo Budwig quanto na dieta cetogênica, adote medidas que melhorem a microbiota e reduzam a inflamação

  • Introduza o uso proteínas vegetais (como a proteína isolada de ervilha);

  • Reduza a ingestão de proteína animal, especialmente de carnes processadas;

  • Consuma alimentos e bebidas fermentados;

  • Evite o uso de adoçantes;

  • Suplemente pré e probióticos, quando necessário;

  • Aumente o consumo de ômega-3 (chia, linhaça, peixes gordos ou suplementos);

  • Consuma gorduras monoinsaturadas (azeitonas, azeite, castanhas, nozes);

  • Evite alimentos ultraprocessados.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/