Nutrientes importantes para a produção de hemeproteínas

Uma hemeproteína ou proteína heme ou hemoproteína , é uma proteína que contém um grupo proteico heme (cátions de ferro ligados ao centro da base conjugada da porfirina). O ferro do heme é normalmente Fe 2+ ou Fe 3+. O anel de porfirina possui 4 átomos de nitrogênio que se ligam ao ferro, deixando duas outras posições de coordenação do ferro disponíveis para ligação à histidina da proteína e um átomo divalente.

A hemoproteína mais conhecida é a hemácia, célula vermelha do sangue. O grupo heme confere funcionalidade, que pode incluir transporte de oxigênio, redução de oxigênio, transferência de elétrons e outros processos.

Hemácia é uma hemoproteína contendo 4 hemes (representado à direita).

As hemeproteínas provavelmente evoluíram para incorporar nas proteínas o átomo de ferro contido no anel da protoporfirina IX do heme. Como torna as hemeproteínas responsivas a moléculas que podem ligar o ferro divalente, essa estratégia foi mantida ao longo da evolução, pois desempenha funções fisiológicas cruciais. Oxigênio (O2), óxido nítrico (NO), monóxido de carbono (CO) e sulfeto de hidrogênio (H2S) se ligam ao átomo de ferro nas proteínas heme. Uma vez ligadas aos grupos protéticos heme, essas moléculas podem modular a atividade / função dessas hemeproteínas, proporcionando transdução de sinal. Portanto, quando produzidas em sistemas biológicos (células), essas moléculas gasosas são chamadas de gasotransmissores.

Além das hemácias o corpo possui outras hemoproteínas (proteínas que contém heme), como citocromos (a, b e c envolvidos na geração de energia), catalase, peroxidase, a enzima triptofano oxigenase, a mioglobina (dos músculos), neuroglobinas e citoglobinas (no cérebro), óxido nítrico sintase, citocromo P450 (para eliminação de toxinas). São 268 proteínas heme catalogadas atualmente.

Importância de algumas heme peroxidases

  • Mieloperoxidase nos neurófilos - saúde imunológica

  • Eosinófilo peroxidase nos eosinófilos - saúde imunológica (morte celular de patógenos)

  • Lactoperoxidase nas mucosas - propriedades bactericidas

  • Tireoperoxidases na tireóide - síntese de hormônios tireoidianos

  • Prostaglandina H sintase (parte da ciclooxigenase) - produz intermediários eicosanóides (sinalizadores) a partir do ácido araquidônico (ácido graxo)

FALTA DE HEME

Queda na síntese de heme interfere na imunidade, no transporte de gases, na sinalização celular, na produção de hormônios da tireoide, na síntese de ATP. Sem heme, citocromo c, hemo-a, b e c dos complexos da cadeia de transporte de elétrons geram dano mitocondrial e dano ao DNA. Falta de proteína, vitamina B1, B6, niacina, zinco e ferro na dieta compromete a síntese de heme.

Várias etapas deste processo acontecem no fígado. Portanto, alto consumo de álcool, esteatose e outras doenças hepáticas podem comprometer o metabolismo geral. Além disso, doenças genéticas também podem atrapalhar a produção de heme. As porfirias são um conjunto de doenças decorrentes de deficiências das enzimas envolvidas na síntese do heme.

Como demonstrado acima, síntese do heme é uma via bioquímica que requer uma série de etapas, substratos e enzimas. Uma deficiência em uma enzima ou substrato leva ao acúmulo de intermediários da síntese de heme no sangue, tecidos e urina, levando a um resultado clinicamente significativo de um grupo de distúrbios chamados porfirias. Podem ser agudas ou crônicas, levar a disfunção neurológica, distúrbio mental ou fotossensibilidade. Os defeitos da síntese do heme após a formação de hidroximetilbilano levam à fotossensibilidade dos pacientes. Outros sintomas incluem alteração na cor da urina, dor abdominal, cólica abdominal, estado altamente agitado, taquicardia, problemas respiratórios, náuseas, confusão, fraqueza das extremidades inferiores.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Dieta para tratamento da gordura acumulada no fígado

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) representa um dos distúrbios metabólicos mais importantes do século 21 e a principal causa de doença hepática crônica e transplante de fígado em todo o mundo. A abordagem moderna considera a DHGNA como uma doença metabólica sistêmica, caracterizada por diversas manifestações fora do fígado, principalmente ligadas à resistência ao hormônio insulina.

A abordagem moderna considera a esteatose hepática não alcoólica como uma doença metabólica sistêmica (Dallio et al., 2021)

A prevalência mundial de DHGNA varia entre 6% a 35%, com níveis mais elevados nos países industrializados. Existe uma susceptibilidade genética maior para a doença em indivíduos com polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs), em genes como PNPLA3 (rs738409), TM6SF2 (rs58542926) e MBOAT7. (rs641738). Ao mesmo tempo fatores ambientais, como vida sedentária, dietas pouco saudáveis ​​que promovem a resistência à insulina (RI) e disbiose intestinal, juntamente com alguns distúrbios imunológicos (como psoríase) aumentam o risco de desenvolvimento da doença, assim como apneia do sono e doença renal crônica.

Até o momento, não existem medicamentos específicos para o tratamento da DHGNA. Portanto, a modificação do estilo de vida continua sendo a recomendação mais importante e baseia-se em cinco eixos: exercício físico regular, perda de peso, prevenção e tratamento da resistência insulínica, modulação intestinal com tratamento da disbiose intestinal e dieta saudável antiinflamatória.

Uma dieta caracterizada pelo consumo abundante de alimentos de origem vegetal e peixes parece contribuir significativamente para a redução da ocorrência de várias doenças crônicas, incluindo da DHGNA. Esses princípios constituem o paradigma da conhecida dieta mediterrânea, rica em componentes antioxidantes e antiinflamatórios.

Descobertas recentes mostram a capacidade da nutrição e dos componentes da dieta em modificar a expressão de nossos genes. É o que estuda a nutrigenética (que genes são esses) e a nutrigenômica (como fazê-los funcionar melhor).

Nutrigenética e nutrigenômica: duas faces da mesma moeda

O genoma influencia a capacidade de resposta aos nutrientes (campo da nutrigenética). Ao mesmo tempo, a nutrição também pode modificar a expressão gênica envolvendo mecanismos epigenéticos (campo da nutrigenômica).

Pessoas com polimorfismo (SNP) no rs738409 do gene PNPLA3 (ou Adiponutrina), devem ser acompanhados. A enzima codificada pelo gene pNPLA4 tem atividade na lipase de triglicerídeos, estando envolvida na sua utilização como fonte de energia e no seu armazenamento. A presença do alelo G deste SNP está associado a aumento dos níveis de triglicerídeos nas vesículas dos hepatócitos (células do fígado). Isto é ainda mais recorrente se o paciente tiver resistência à insulina e/ou obesidade.

O gene PNPLA3 também está envolvido na liberação da forma de armazenamento do retinol (vitamina A), conhecida como retinil-palmitato, nas células estreladas hepáticas. Devido ao envolvimento do retinil-palmitato na regulação do metabolismo da gordura celular, sua retenção em pessoas com este SNP gera maior respostas pró-inflamatórias e pró-fibrótica.

Assim, é importante maior consumo de peixes e ômega-3 neste pacientes, redução do consumo de ultraprocessados e carboidratos simples, assim como retirada do álcool da dieta. Atividade física e controle das calorias consumidas também é importante.

O gene MBOAT7 codifica uma enzima ligada à membrana e cuja função principal é a incorporação de ácido araquidônico (AA) e outros ácidos graxos insaturados na molécula de fosfatidilinositol. Na presença da variante rs641738, a expressão da enzima codificada diminui junto com os níveis hepáticos de PI contendo AA, o que causa uma interrupção de várias vias celulares que regulam o metabolismo de triglicerídeos, inflamação, fibrose e proliferação celular. Aqui a conduta é reduzir o consumo de gorduras saturadas e gorduras do tipo ômega-6.

O gene TM6SF2 é responsável pela produção de uma proteína localizada principalmente no retículo endoplasmático e aparelho de Golgi, envolvida na regulação da secreção hepática de triglicerídeos. A codificação rs58542926 C> T para a variante E167K desse gene está envolvida no desenvolvimento de esteatose hepática n ão alcoólica. Por outro lado, esse SNP parece conferir proteção contra o risco de doença cardiovascular por meio da redução da secreção de lipídios e da síntese de lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL), desenhando um papel biológico muito complexo que ainda precisa ser totalmente esclarecido. Mesmo assim, parece que para estes pacientes a redução da ingestão de carboidratos seja importante.

Além dos SNPs PNPLA3, MBOAT7 e TM6SF2, outras variantes genéticas aparecem potencialmente envolvidas neste cenário. Existem fortes evidências científicas para que o polimorfismo do gene regulador de glucoquinase (GCKR) aumenta a resistência insulínica. Assim, pessoas com a presença do alelo C para o rs780094 também precisarão envitar carboidratos simples.

Como se sabe, a superprodução de espécies reativas de oxigênio (ROS) derivada de sobrecarga de ácidos graxos livres (FFAs) na mitocôndria e devido à resistência insulínica também piora a esteatase. Pacientes com polimorfismos para as enzimas SOD precisarão de dietas ricas em antioxidantes e suplementação condizente com o caso.

O uso de chás e ervas também é interessante evitando a oxidação de moléculas como o colesterol e mantendo um quadro menos inflamatório, propício à recuperação hepática. À luz do conhecimento científico recente, a dieta e a genética devem ser casadas para melhor definição da conduta e maiores chances de sucesso no tratamento. O aconselhamento nutrigenético é uma realidade e cada vez mais pacientes beneficiam-se da nutrição de precisão.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Índices APRI e FIBROTEST para avaliação da função do fígado

O exame do aspartato aminotransferase ou transaminase oxalacética (AST ou TGO), é um exame de sangue solicitado para investigar lesões que comprometem o funcionamento normal do fígado. Pode ser dividido pela contagem de plaquetas, que é usado como um marcador não invasivo para fibrose e cirrose hepática. É o índice APRI (acesse aqui a calculadora online).

Índice APRI = AST/plaquetas

Quanto maior o valor de APRI maior é o dano oxidativo e a injúria hepática. Em uma meta-análise de 40 estudos, os pesquisadores concluíram que um escore APRI maior que 1,0 tinha uma sensibilidade de 76% e especificidade de 72% para prever cirrose. Além disso, eles concluíram que um escore APRI maior que 0,7 tinha uma sensibilidade de 77% e especificidade de 72% para predizer fibrose hepática significativa.

Para a detecção de cirrose, o uso de uma pontuação de corte APRI de 2,0 foi mais específico (91%), mas menos sensível (46%). Quanto mais baixo for o escore APRI (menor que 0,5), maior será o valor preditivo negativo (e capacidade de descartar cirrose) e maior será o valor (maior que 1,5), maior será o valor preditivo positivo (e capacidade de controlar a cirrose), Os valores médios são menos úteis.

O APRI sozinho provavelmente não é suficientemente sensível para descartar doença. Algumas evidências sugerem que o uso de vários índices em combinação (como APRI mais FibroTest) ou uma abordagem algorítmica pode resultar em maior precisão diagnóstica do que usar apenas APRI.

O FibroTest inclui 10 biomarcadores: alfa-2-macroglobulina, haptoglobulina, apolipoproteína A1, bilirrubina total, GGT, ALT, AST, glicmia em jejum, colesterol e triglicerídeos. Acesse aqui a calculadora em excel.

Como proteger o fígado?

A fibrose do fígado acontece quando o tecido fica cheio de cicatrizes. Se não tratado, este fibrose pode evoluir para cirrose. Os sintomas da fibrose incluem perda de apetite, alterações cognitivas (dificuldades de raciocínio), náuseas, perda de peso inexplicável, fraqueza, pele ou olhos amarelados.

Existem várias causas para a fibrose, incluindo autoimunidade, obstrução biliar, excesso de ferro, obesidade, esteatose hepática, hepatite, alto consumo de álcool.

O tratamento geralmente envolve uma combinação de mudanças no estilo de vida, incluindo dieta antiinflamatória e adequada para emagrecimento, atividade física, controle do estresse, redução ou abstenção do álcool e uso de suplementos como:

Um estudo publicado em 2013 mostrou que o suco da folha de mamoeiro ajuda o fígado de pacientes com dengue a se recuperar mais rápido (Subenthiran et al., 2013). Pode-se usar 50g de folhas frescas em 100 ml de água (é remédio, é amargo e pode dar ânsia de vômito).

O ácido alfa-linolênico (ALA) contido na chia e linhaça ajuda na recuperação mais rápida de plaquetas. Pacientes com doenças hepáticas tendem a ficar com plaquetas mais baixas (trombocitopenia) o que aumenta o risco de sangramentos (Stivala et al,. 2013). O ALA também pode ser suplementado em maiores doses.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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