Psicobióticos: bactérias intestinais que influenciam o funcionamento do cérebro

Fonte: Dinan & Cryan, 2017

Fonte: Dinan & Cryan, 2017

O intestino saudável humano contém mais de 1 kg de bactérias, aproximadamente o mesmo peso do cérebro! E elas não estão ali à toa. A diversidade das bactérias intestinais é essencial para a saúde de todo o corpo, especialmente do sistema nervoso. Bactérias boas (probióticas) podem sintetizar neurotransmissores como serotonina e acetilcolina, sinalizadores imunológicos e ácidos graxos de cadeia curta que, em maior ou menor medida, geram respostas no hipotálamo, em outras áreas do cérebro e também nas glândulas adrenais.

O desequilíbrio da microbiota, denomina-se disbiose e pode surgir por uma série de razões como dieta inadequada, uso de antibióticos, estresse físico ou mental. Este desequilíbrio pode desregular o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) aumentando a secreção de cortisol, potente hormônio ativador do sistema de estresse.

A microbiota de recém-nascidos é caracterizada por baixa diversidade bacteriana com predomínio do de proteobactérias e actinobactérias. Este é um momento de acelerado desenvolvimento cerebral. Com o passar do tempo a microbiota vai se tornando mais diversificada. Contudo, crianças nascidas por cesária, não amamentadas e em uso de antibiótico possuem uma microbiota piorada o que aumenta o risco de desordens neurodegenerativas e de neurodesenvolvimento (Dinan & Crian, 2017).

Fonte: Ottman et al., 2012

Fonte: Ottman et al., 2012

Uma das desordens bastante estudadas na atualidade por sua associação com transtornos gastrointestinais é o autismo. Estudo publicado em 2015 por Tomova e colaboradores mostrou que crianças com transtornos do espectro autista possuiam um desequilíbrio da microbiota, por exemplo com redução de firmicutes, condição que pode ser normalizada com a suplementação adequada de probióticos.

Psicobióticos são definidos como probióticos que, quando ingeridos, influenciam positivamente a saúde mental (Dinan, Stanton & Cryan, 2013), reduzem estresse, ansiedade (Schmidt et al., 2015; Bhagwagar, Hafizi & Cowen, 2005), melhoram o humor (Steenbergen et al., 2015) e comportamentos neuróticos (Hilimire, DeVylder e Forestell, 2015). Aguardam-se novos estudos acerca das aplicações mais eficazes nestes e em outros casos.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!