To the bone (O mínimo para viver): o que você achou sobre o filme sobre a anorexia?

No final de semana passado assisti o filme To the Bone (no Brasil divulgado como "O mínimo para viver"), um drama sobre a anorexia nervosa. A atriz Lily Collins vive Ellen, uma jovem artista anoréxica que, apesar de muita dor emocional, acredita ser forte, ter saúde e controle suficiente para levar o corpo ao limite com uma dieta rigorosa, de baixíssima em calorias. O filme retrata uma das internações de Ellen para tratamento da doença. 

O filme mostra o isolamento e vergonha dos personagens. Mesmo assim, apesar da gravidade da doença a película não faz muito para dissuadir quem pensa em restringir calorias ou já está passando por isso. A própria atriz principal Lily Collins, uma jovem super magra relatou ter recebido muitos elogios por ter perdido ainda mais peso para as gravações. O filme também vem sendo criticado por dar pistas sobre como esconder do mundo o fato de alguém ter uma desordem alimentar. 

Pelo menos o filme pode funcionar como um ponto de partida para conversas nas escolas e faculdades e com os filhos adolescentes. Uma forma de darmos nossa contribuição é não comentando sobre a aparência dos outros. Nem se estão magros, nem se estão gordos, nem durante a infância, nem na adolescência e nem em qualquer outra fase da vida. Podemos comentar a respeito de tantas outras coisas, o quanto alguém é engraçado, interessante, amoroso, simpático, inteligente etc.

O filme também não discute sobre a forma de lidarmos com o problema enquanto sociedade. No mundo, acredito que a França seja o país mais a frente em termos de políticas de saúde para o enfrentamento dos transtornos alimentares. Proibiu, em 2013, a participação de modelos demasiado magras em desfiles e sessões de moda. Foi estabelecido também que as modelos precisarão apresentar atestado, mostrando evidências de que estão saudáveis.

Em 2015 foi aprovada uma lei na qual peças publicitárias precisam identificar se as imagens foram retocadas por programas como o photoshop. A referência passou a ser obrigatória em imagens que aparecem em anúncios de jornais, online, pôsteres e catálogos. No entanto, os editoriais de moda das revistas ainda não precisaram incluir a expressão.

O objetivo das leis é evitar a promoção de ideias de beleza inacessíveis e prevenir a anorexia nos jovens, inclusive nas modelos. O Reino Unido está estudando leis similares. E você, o que pensa delas?

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!