Nutrição na síndrome de Williams

A síndrome de Williams ou síndrome de Williams-Beuren é uma desordem genética tipicamente acompanhada de dificuldades de aprendizagem. Mas a primeira coisa que observamos em crianças com a síndrome é o sorriso. São crianças muito mais sociáveis e com altos níveis de empatia. Mas também são mais ansiosas e podem apresentar problemas de saúde como estenose aórtica, dores abdominais crônicas, anormalidades no crescimento ósseo, dificuldades para engolir ou sugar e hipercalcemia. A hipercalcemia é um dos fatores considerados para o diagnóstico, assim como outros sinais e sintomas incluindo baixa estatura, hipersensibilidade a sons, déficit de atenção e traços faciais característicos (nariz pequeno e arrebitado, perfil nasal plano, queixo pequeno, pele delicada, estrabismo).

O diagnóstico final é feito pelo teste genético que identifica a deleção (ausência) de cerca de 21 genes do cromossomo 7, incluindo os genes responsáveis pela produção de elastina, uma proteína que forma as fibras elásticas. O diagnóstico precoce permite a estimulação adequada na infância. Também favorece a adoção de uma conduta terapêutica que contribua para a prevenção ou tratamento do diabetes e da hipertensão, condições comuns em pessoas com a síndrome.

Aproximadamente 50% das crianças com síndrome de Williams apresentam déficit de atenção. O tratamento envolve terapia cognitiva, neurofeedback, atividade física, musicoterapia, massagem, yoga, meditação, alimentação saudável, dentre outras terapias. O zinco, por exemplo, é um dos minerais que muitas vezes encontra-se abaixo dos níveis adequados em crianças com déficit de atenção e a suplementação parece reduzir a ansiedade e a impusividade. Outro suplemento atualmente estudado é a L-carnitina, a qual possui um papel antioxidante e neuroprotetor. Ácidos graxos ômega-3 administrados via óleo de peixe, óleo de krill ou óleo de linhaça também vem sendo testados principalmente com o objetivo de melhorar a condução nervosa e a atividade cerebral. Como muitos indivíduos com síndrome de Williams apresentam carências nutricionais (Nordstrøm et al., 2014) o estado nutricional deve ser periodicamente acompanhado para que correções possam ser feitas precocemente, contribuindo para a melhoria da saúde e qualidade de vida destes indivíduos.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!