Brócolis: entenda porque este alimento é recomendado no espectro do autismo

Um grupo de pediatras publicou uma pesquisa em que relatavam a melhoria dos "comportamentos autísticos" em 83% das crianças que tinham febre acima de 38,8oC (Curran et al., 2007). A explicação é que durante a febre são ativadas proteínas de choque térmico (HSP) que previnem e protegem tecidos contra o dano gerado pelo calor na hora da febre. As HSP também protegem a função sináptica, a comunicação entre os neurônios.

A febre é um processo complexo que afeta o sistema imune, endócrino e nervoso. Faz parte de uma defesa do organismo. A resposta ao estresse que acontece durante a febre parece melhorar temporariamente vias metabólicas que estariam comprometidas no autismo. Apesar das melhorias durante a febre serem temporárias, para os autores do estudo esta é uma evidência importante de que o cérebro muda, se recupera, responde a diferentes estímulos. Ou seja, há chances de recuperação.

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Mas como obter os mesmos efeitos da febre sem debilitar a criança? A pergunta levou o grupo de pesquisadores a explorarem o sulforafano, composto presente nos vegetais crucíferos, como couve, couve-flor, rabanete e brócolis. O sulforafano também aumenta as HSP, principalmente a 1 e a 27, mas sem a febre (Gan et al., 2010; Liu et al., 2016).

O sulforafano é um composto sulfurado (que contém enxofre), com propriedades antioxidantes e desintoxicantes. Estudos mostram que o consumo de vegetais ricos em sulforafano reduz o risco de câncer, o estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial, protege neurônios e previne o Alzheimer.

No autismo, o uso do extrato de broto de brócolis concentrado com sulforafano reduziu, em 65% das crianças sintomas como irritabilidade, hiperatividade, estereotipias e problemas de linguagem ao longo do primeiro mês de uso. Uma das explicações é que o sulforafano melhora a conectividade entre as sinapses na região cortical do cérebro (Liu et al., 2016).

Além das disfunções sinápticas o estresse oxidativo é outro fator frequentemente apontado no espectro do autismo (Bradstreet et al., 2010; Liu et al., 2016). O sulforafano eleva a capacidade antioxidante, aumenta o número de mitocôndrias além de melhorar a resposta ao estresse facilitando o reparo de proteína e DNA no cérebro (Brose et al., 2012Yang et al., 2016).

O sulforafano também reduz o NFkB reduzindo a neuroinflamação. Ou seja, o sulforafano dos vegetais crucíferos beneficia o cérebro de muitas formas, em múltiplas frentes. 

Em estudo com jovens homens (13 a 27 anos) com diagnóstico de autismo de moderado a severo foi administrado sulforafano por 18 semanas. Aqueles que receberam o suplemento apresentaram melhorias de comportamento, interação social, comunicação verbal e redução de estereotipias, irritabilidade, letargia e hiperatividade  (Singh et al., 2014).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!
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