"Vacinei meu filho e ele desenvolveu autismo". Será?

As desordens do espectro autista envolvem um grupo de distúrbios complexos, com graus variados de comprometimento do desenvolvimento neurológico. A maior parte das crianças é diagnosticada por volta dos 4 anos, idade considerada tardia. Quanto mais precoce o diagnóstico, mais cedo a criança é encaminhada para o tratamento e intervenções que podem acelerar o desenvolvimento.

As causas do autismo parecem incluir uma combinação entre uma genética favorável e certas condições ambientais que podem levar a mudanças no desenvolvimento do cérebro. Leia mais sobre esse assunto aqui.

Em 1998 um grupo de pesquisadores publicou um artigo em que relatavam que a vacina tríplice era uma das causas do autismo. Isso gerou uma comoção entre os pais. Só que este estudo apresentava várias falhas. Foi feito com apenas 12 crianças, dados foram fraudados e foi revelado que um dos investigadores representava advogados que estavam processando a indústria da vacina. Após este estudo, vários outros apareceram mostrando que não havia relacionamento entre a vacinação e o desenvolvimento do autismo.

Mesmo assim muitos pais ainda relatam que várias características autísticas de seus filhos (isolamento social ou emocional, dificuldade em entender gestos, falta de interesse, comportamentos ou padrões repetitivos, inflexibilidade com mudanças, indiferença à dor, fascinações visuais com a luz ou movimento, resposta adversa a certos sons ou texturas) apareceram após a vacinação. Como somos seres individuais e não existem dois autistas idênticos a hipótese precisa ser mais investigada. Contudo, a maior parte dos pesquisadores acredita que traços algumas características autísticas já estavam presentes, sem que os pais tenham se dado conta.

Por isso, o diagnóstico deve ser sempre feito por uma equipe multidisciplinar que conheça bem os marcos do desenvolvimento infantil. Alguns sinais e indicadores são usados por estes profissionais para ajudar no diagnóstico, como:

- Falta de sorriso largo ou outras expressões de prazer e alegria aos 6 meses de vida;

- Falta de interação com os pais, falta de imitação normal de sons, sorrisos ou outras expressões faciais que os bebês já fazem aos 9 meses de vida;

- Falta de balbuciações (aquela tagarelice dos bebês) aos 12 meses de vida;

- Falta de gestos, como apontar, acenar, tentar pegar, aos 12 meses de vida;

- Sem expressão por meio de palavras aos 18 meses de vida;

- Sem uso de duas palavras com significado aos 24 meses de vida. Em geral a falta de vontade de interagir por meio de palavras é um dos primeiros sinais das desordens do espectro autista.

A partir dos 24 meses pode haver também falta de interesse em interações com crianças e comportamentos repetitivos na hora de brincar, de se vestir ou comer. Muitas vezes os pais consideram a criança apenas séria ou antisocial quando já há um desenvolvimento diferente de outras crianças.

Até o momento a genética parece ser o principal fator desencadeante do autismo. Contudo, genes relacionados às desordens autísticas podem se manifestar quando a criança entre em contato com estressores ambientais, como toxinas, medicamentos e vírus. Desta forma, a vacina pode até ter sido envolvida no aparecimento de sintomas mais graves, mas não pode ser considerada o principal fator. A criança poderia ter desenvolvido os mesmos sintomas ao entrar em contato posteriormente com outros estressores. Assim, autoridades de saúde do mundo todo recomendam que todos os pais e cuidadores sigam o calendário de vacinações normais das crianças para que outros problemas de saúde não surjam.

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O diagnóstico precoce abre espaço entretanto para uma série de possibilidades terapêuticas que passam inclusive pela alimentação, assunto discutido em outros textos:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!
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