Gordura abdominal: causas e soluções

Respondendo a meu leitor na revista Contra-Relógio:

Tenho 54 anos e há 4 corro de 3 a 4 vezes por semana; faço musculação e mantenho uma dieta equilibrada. Mesmo assim não consigo perder a gordura abdominal. Por que?

Esta situação não é incomum, pode acontecer em qualquer idade e gerar muita frustração. As causas são variadas. Reconhecê-las facilita a tomada de decisão e a resolução do problema. Seguem as 8 principais:

1 - Genética: A distribuição da gordura em nosso corpo é bastante influenciada pelos nossos genes. Algumas pessoas acumulam mais gordura no quadril, outras na barriga. Do ponto de vista da saúde, a gordura acumulada na região abdominal é a mais perigosa e motivo de preocupação, mesmo quando o peso corporal não é alto. Lutar contra a genética pode ser difícil, mas não é impossível. Mesmo pessoas com forte tendência familiar para obesidade conseguem reduzir a quantidade de gordura abdominal combatendo outras causas do problema.
2 - Desequilíbrios hormonais: Faça anualmente exames de sangue que contemplem os hormônios T3, T4 e TSH. A tireóide é uma glândula muito importante no controle do metabolismo. Quando não funciona bem, pode produzir quantidades reduzidas de certos hormônios, dificultando a queima de gordura, mesmo em indivíduos fisicamente ativos.
3 - Deficiência de vitamina D: Se você passa o dia todo dentro de casa ou do escritório e não sai sem passar o filtro solar, pode estar com baixos níveis deste nutriente. A vitamina D é produzida na pele e sua deficiência facilita o aumento do número e do tamanho das células de gordura. Pessoas morenas e negras possuem mais melanina, um protetor natural da pele e estão sob maior risco de deficiência. Como a vitamina D não é abundante nos alimentos, a mesma deve ser suplementada se exames verificarem a carência, assim como tomando sol no início da manhã.
4 - Produção excessiva de cortisol: Este hormônio é produzido em maior quantidade quando o estresse físico ou mental é grande ou quando a pessoa não dorme bem. Altas quantidades conduzem a efeitos adversos, como aumento dos batimentos cardíacos, mudanças bruscas de humor, diminuição da memória e aumento da gordura abdominal. Para equilibrar os níveis de cortisol, controlar o estresse e relaxar são estratégias importantes. Para dormir melhor reduza o consumo de substâncias excitantes como o álcool e a cafeína (presente no café, refrigerantes a base de cola, chá mate e chá preto) e aumente o consumo de alimentos que contenham componentes relaxantes (abacate, banana, chá de camomila, nozes, peixes, tofu, sementes de abóbora). A vitamina C também diminui os níveis de cortisol; por isto inclua alguma fruta cítrica (como acerola, laranja, morango, abacaxi) no cardápio diariamente.
5 - Inflamações: Leva ao aumento de substâncias que facilitam o armazenamento de gordura na região abdominal. Para reduzir a inflamação do organismo não se exercite exageradamente, nunca use remédios não prescritos por médico e inclua na dieta alimentos como linhaça, azeite, brócolis, alho, cebola, gengibre e açafrão.
6 - Restrição de gorduras boas: Muitas pessoas pensam que para emagrecer devem riscar as gorduras do cardápio. Acontece que elas não são todas iguais. A gordura do coco, da linhaça, do abacate, do azeite e do açaí são importantes para a saciedade, para o controle do metabolismo e ainda contém substâncias antiinflamatórias e antioxidante que facilitam a perda de peso. 
7 - Alergias ou intolerâncias alimentares: Afetam o sistema imunológico e alteram a função das células de gordura. Para evitar as alergias e intolerâncias diminua o consumo de alimentos industrializados e ouça os sinais de seu organismo, tentando perceber os efeitos de cada alimento em sua digestão, em seu humor, na sua respiração e em sua pele.
8 - Consumo excessivo de calorias: Às vezes comemos mais do que devemos. Comemos em frente à TV, enquanto trabalhamos no computador, lendo deitados na cama ou no sofá. Estes hábitos aparentemente inofensivos tiram nossa atenção do alimento e quando percebemos já devoramos um pacote inteiro de bolachas. A solução é prestar mais atenção a cada pedacinho de alimento. Sua cor, textura, aroma. Após este namoro inicial, mastigue lentamente, sem nenhuma outra distração. Esta técnica simples está associada a um consumo 30% menor de calorias.

Mudanças de hábito não ocorrem facilmente e nem de uma hora para outra, mas vale a pena tentar, em prol da sua corrida, estética e saúde!

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!
Tags