Ômega-3 e distúrbios do espectro autista

Os distúrbios do espectro autista são desordens complexas que afetam o desenvolvimento neurológico. Sua prevalência na população vem aumentando, existindo uma série de hipóteses para o seu aparecimento, como a exposição à agrotóxicos, genética, deficiências nutricionais (vitamina D, ácido fólico) e infecções maternas.

O autismo caracteriza-se pelos déficits de comunicação e interações sociais e pelos comportamentos repetitivos e interesses restritos. O tratamento multidisciplinar envolve terapias de comunicação, comportamento e linguagem, medicação, fisioterapia e modificações alimentares, com exclusão de certos grupos de alimentos e suplementação de nutrientes específicos que diminuam o risco de carências nutricionais, aumentem a proteção do sistema nervoso e reduzam a permeabilidade intestinal

Com o intuito de melhorar o funcionamento do cérebro e reduzir o déficit de linguagem, pesquisadores vem adotando a suplementação de ômega-3. Este lipídio é composto pelos ácidos eicosapentaenóico (EPA) e docosahexanóico (DHA), os quais são importantes para o desenvolvimento e função cerebral. Crianças com autismo tendem a ter menos níveis de ômega-3 circulantes, por isto a suplementação é comum. Contudo, os estudos são controversos.

Em uma pesquisa publicada em 2015 na revista Molecular Autism, a suplementação de 1,5g de EPA e DHA para 38 crianças com idades entre 2 e 5 anos não resultou em melhoria de sintomas como agressividade e hiperatividade após 6 meses. A suplementação de ômega-3 também não foi capaz de melhorar tais sintomas em adultos. Revisão sistemática publicada em 2011 também apontou o mesmo resultado.  Desta forma, ainda não existem evidências de que o ômega-3 seja eficaz no tratamento do autismo, apesar de sua importante função neuronal e benefícios para o tratamento da depressão e redução da progressão de outras doenças como Parkinson

Por isto, a recomendação é incluir fontes de ômega-3 na própria dieta, adotando-se como proteína animal o peixe, pelo menos duas vezes por semana, e fontes vegetais como linhaça e outras sementes. Se optar por suplementar ômega-3 adote um com quantidades muito baixas de mercúrio e procure um nutricionista para conversar sobre a suplementação concomitante de outros antioxidantes que irão evitar a oxidação deste nutriente.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!