Tratamento da bulimia

Distúrbios alimentares transtornos deletérios à saúde e muito perigosos. Podem ser detectados por familiares, por nutricionistas, médicos e amigos próximos. O tratamento é multidisciplinar, incluindo um nutricionista e um especialista em saúde mental. A tabela abaixo apresenta as características de cada transtorno

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A prevalência estimada de bulimia nervosa é de 3% a 10% das mulheres. A bulimia pode aparecer após uma tentativa malsucedida de perda de peso ou quando o paciente descobre que vômitos, jejuns e atividade física excessiva podem compensar episódios compulsivos. Outros fatores associados ao desenvolvimento de bulimia incluem história de infância ou abuso sexual, história de abuso ou dependência de substâncias psicoativas, atletas, diabéticos e história familiar de alcoolismo ou depressão. Aliás, depressão e transtornos de humor são comuns em pacientes bulímicas. O prognóstico na bulimia é geralmente melhor do que com anorexia: mais de 50% recuperam-se e poucas desenvolvem anorexia.

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Como pacientes anoréxicos apresentam-se visualmente muito magros e pacientes bulímicos não, acaba que a bulimia nervosa pode ser de bem mais difícil diagnóstico. Na casa de suspeita de bulimia e outros transtornos algumas perguntas devem ser incluídas na anamnese de profissionais de saúde: (1) "Você come em segredo?", (2) "Você está satisfeito com seus hábitos alimentares?", (3) Você come até passar mal ou se sentir muito desconfortável?, (4) Você perde controle sobre o quanto come? (5) Você diria que o alimento domina sua vida?

Médicos devem também perguntar sobre pesos máximo e mínimos anteriormente atingidos, história menstrual, hábitos de exercício, consumo de álcool ou outras drogas, uso de laxantes, diuréticos ou pílulas dietéticas. Durante o exame clínico é importante a investigação de erosão do esmalte dentário, hipertrofia da glândula parótida, voz rouca devido ao refluxo gastroesofágico, sinal de Russell (hipertrofia das articulações dos dedos pela indução de vômitos), edema periférico e prolapso retal ou sangramento devido à constipação crônica. A avaliação laboratorial deve ser completa, dando-se atenção às anormalidades eletrolíticas induzidas por vômitos (hipocalemia, alcalose metabólica hipoclorêmica).

O acompanhamento médico, psicoterápico e  nutricional é mais eficaz quando o paciente vê a necessidade de tratamento. Dentre os objetivos terapêuticos estão a normalização da alimentação, a recuperação do estado nutricional e o restabelecimento da autoestima. Para os pacientes que recusam terapia, o objetivo do acompanhamento médico ou nutricional deve ser ajudar o paciente a perceber a gravidade da situação e trabalhar com ela para aceitar o tratamento e minimizar danos à saúde.

Diários alimentares, monitorados por um nutricionista, são uma parte essencial do tratamento. Os diários alimentares são usados ara 2 propósitos: avaliar a adequação nutricional da dieta, monitorar tipo e quantidade de alimentos consumidos e sensações emocionais e físicas que acompanham a alimentação. O diário alimentar também pode ser um componente importante da terapia cognitivo-comportamental. Durante o tratamento são quebrados ciclos nocivos de compulsão e purgação, são restaurados comportamentos alimentares "normais", são reprogramadas crenças sobre o corpo, dieta e peso. Também trabalha-se para a resolução de traumas ou outras questões emocionais. Yoga também é recomendado para a redução da ansiedade.

Embora a maioria dos bulímicos possa ser tratada ambulatorialmente, a internação é recomendada em caso de desequilíbrios eletrolíticos graves, depressão grave e risco de suicídio. 

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!