Tratamento da desnutrição

O tratamento da desnutrição protéico-energética deve ser feito dentro ou fora do hospital?
Isto dependerá da existência ou não de complicações associadas à desnutrição. Na maioria das vezes, os casos não complicados devem ser tratados fora do hospital uma vez que a hospitalização aumenta o risco de infecções e o contexto não familiar pode aumentar a apatia e a falta de apetite, principalmente em crianças. Porém, pacientes com complicações ou condições que ameacem a vida ou que vivam em condições sociais deploráveis devem ser hospitalizados.
Indicadores de mau prognóstico:
- Crianças menores que 6 anos;
- Sinais de colapso circulatório: mãos e pés frios, pulso fraco, consciência diminuída;
- Pneumonia, sarampo;
- Tendências hemorrágicas;
- Desidratação ou perturbações eletrolíticas;
- Taquicardia persistente;
- Proteínas séricas (como albumina) diminuídas; 
- Anemia Grave; 
- Icterícia clínica; 
- Hipoglicemia; 
- Hipotermia; 
- Lesões cutâneas exsudativas.
Este tratamento da criança gravemente desnutrida, a nível hospitalar e conduzido por equipe multidisciplinar é muito importante afim de corrigir desequilíbrios hidroeletrolíticos e impedir a falência dos órgãos. O ministério da saúde possui um manual de atendimento para crianças com desnutrição grave que pode ser baixado gratuitamente na internet. 
As crianças com baixo peso mas sem tamanha gravidade podem ser tratadas em casa. O primeiro sinal de que a criança está desnutrindo é obviamente o comprometimento de peso. Na maioria dos casos, exceto naqueles provenientes de extrema pobreza, a perda de peso é resultante de desorganização familiar e falta de disciplina na alimentação. Medidas simples como organizar os horários das refeições e acrescentar 1 colher de sopa de óleo vegal (como canola e azeite) no almoço e no jantar (em cima do feijão, por exemplo) ajudam a incrementar o número de calorias consumidas. 
Consulte:

Shills. Tratado de Nutrição na Saúde e na Doença, cap.59, p. 1044.
VITOLO, M.R. Nutrição da gestação ao envelhecimento. Ed. Rubio, 2008.
Foto: http://www.food-force.com/images/kenya-children-1.jpg


Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!